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Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura". A violência é a negação da inteligência.
Uma sociedade justa não pode admitir actos eticamente reprováveis (mesmo que se sustem na tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais.
É degradante ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional.
Portugal não se pode permitir continuar a prática do crime económico que é desperdiçar milhares de hectares de terra para manter as manadas de gado, dito bravo. A verdade é que são precisos dois hectares de terreno, o equivalente a dois campos de futebol, para criar em estado bravio cada boi destinado às touradas. Ora isto é tanto mais criminoso quando Portugal é obrigado a importar metade da alimentação que consome. Decerto os milhares de hectares desperdiçados a tentar manter bois em estado bravio, produziriam muito mais útil riqueza se aproveitados em produção agrícola, frutícola, etc.
Uma minoria quer manter as touradas e as praças de touros, bárbara e sangrenta reminiscência das arenas da decadência do Império Romano. De facto nas arenas de hoje o crime é o mesmo: tortura, sangue, sofrimento e morte de seres vivos para divertimento das gentes das bancadas. Como pode continuar tamanha barbaridade como esta, das touradas, no século XXI?
Só pode permanecer como tradição o que engrandece a humanidade e não os costumes aberrantes que a degradam e a embrutecem.

Não seja responsável pela tortura.
Não assista a touradas!



Veja aqui um resumo da reportagem "Vermelho e Negro" exibida na SIC em Junho de 2003.



CARTA ABERTA AO:
Senhor Ministro Morais Sarmento

TOURADA PARA A CASA DO PESSOAL DA RTP

O Estado, é soberano, quem o representa são os eleitos pelo povo em sufrágio, assim, devia fazer respeitar, em todas as situações, a vontade desse povo expressa pela maioria e não invocar o direito das minorias quando estas desrespeitam a própria lei.

Mais grave, quando permite que uma entidade como a RTP que depende de subsídios do Estado (paga com os impostos dos contribuintes) faça promoção de acontecimentos de tortura rejeitados pelas maiorias, como provam as sucessivas sondagens, (74% contra as touradas e 82% contra os touros de morte) e que pagam impostos, logo sustentam essa entidade.

Isto vem acontecendo:
Com o encapotar de que as receitas revertem a favor da casa do pessoal da RTP ou são destinadas a obras de beneficência.

Tudo não passa ou são um aproveitamento, de uma caridade sem caridade, de um oportunismo, de promoção enganosa - que pretende levar a que se desvaneça o acto cruel em beneficio de desfavorecidos, o que até é altamente imoral, não se deve minimizar o sofrimento através de tortura e de sofrimento de outros seres sejam eles quais forem.

Quando os responsáveis governamentais do erário público utilizam, em beneficio próprio, o que lhes foi confiado para gerir , são acusados e julgados.

O que se passa com a RTP sobre as touradas devia ter o mesmo tratamento, senão vejamos.

Quem beneficia com tanta promoção?


Para quem reverte o dinheiro da publicidade que está presente nos cartazes da tourada e nas praças de touros e que a RTP promove aquando das transmissões?

Quanto custa a publicidade em horário nobre no principal canal da RTP?

Os anúncios feitos à tourada, em horário nobre, são constantes durante toda a época da tauromaquia, isto para além dos programas destinados à sua promoção com comentadores para o efeito.

Porque, a RTP é de todos os portugueses e sustentada por eles, estes, têm o direito a saber:

Quanto recebe a RTP por tão grande publicidade?

Porque se promove um espectáculo tão contestado em detrimento de outros ou pelo menos não se lhes dá o mesmo tratamento?

Qual o tempo de antena que é disponibilizado à tauromaquia durante todo o ano, bem como os seus custos, tendo em conta o horário Nobre em que é passado?

Qual o critério que leva a que seja atribuído à tauromaquia tantas benesse quando esta visa o lucro? Será que o pessoal da RTP, que não gosta de sangueira, de crueldade, que tem como filosofia de vida o respeito por todas as criaturas vivas e que são simpatizantes das organizações zoófilas, sem fins lucrativos, podem também elas exigir que estas tenham um mesmo tratamento e tempo de antena igual?

O escasso tempo que dificilmente é destinado a estas e outras associações é o em horário de muito fraca audiência.,

SUGERIMOS PARA UMA MAIOR CLARIFICAÇÃO:

Que seja tornado publico quanto rende uma tourada de “beneficência " para o beneficiado.

Por último, achamos que o povo português tem direito a saber onde e como são aplicados os seus impostos; por isso, deve ser tornado público o que se está a passar, que contractos foram estabelecidos entre a RTP e o lobbie da tauromaquia e como é suportada toda esta promoção.

Será que se moldou a administração da RTP, empresa pública, para tudo ficar na mesma, como no passado ou pior? Ou seja, a televisão do Estado ter a imagem de agência tauromáquica?!



TOUROS DE MORTE

Puderam os leitores do “Público” ler um artigo, com o titulo “ A Bem dos Animais?”, da autoria do Sr. Nuno Pacheco (NP).

Em tal artigo é posta em causa a seriedade de propósitos e de actuação da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA), instituição de utilidade publica sem fins lucrativos, - que lançou em Portugal, desde a sua fundação em 1981, a filosofia dos direitos do animal não - humano, contida na Declaração Universal dos Direitos do Animal, consignada na UNESCO em 1978.

Dada esta breve informação aos leitores, passamos a responder ao autor de "A Bem dos Animais?"questionando-o :

Porque será “inconcebível” um requerimento (e não uma "proposta") exigindo o cumprimento da Lei? Será que o Sr. N.P. ainda não percebeu que Portugal é, constitucionalmente um Estado de direito, democrático, e, portanto, regido pelo primado a Lei?

Viverá o Sr. N.P. na ignorância daquilo que há mais de 2000 anos os romanos sabiam:
"Dura lex, sed lex" ?

Ao imputar à LPDA o falhanço da luta contra os “touros de morte” não estará o Sr. N.P. a demonstrar défice de visão crítica, pois que o falhanço foi dos governos, que incapazes de fazerem cumprir a lei subverteram o Estado de direito e fizeram regredir a legislação ?

Que foram os políticos que temos, que “falharam”, traiçoeiramente na representação dos portugueses que os elegeram, e que esmagadoramente se pronunciaram, em sondagens fidedignas, contra os “touros de morte”, 83% - e até contra as touradas, 74%? E não vê que certos membros da “intelligentsia” portuguesa em vez de contribuírem para a evolução civilizacional de Portugal, preferem a manutenção duma barbárie e obscurantismo medievalescos – talvez para melhor “pescar em águas turvas”?

Não estará o Sr. N.P., ele próprio, a fazê-lo ?

Porque não deveria cumprir a LPDA, combater, pois, por outro meios – todos os meios legais ao seu alcance, contra a prática dos ditos “touros de morte”, quando os “ tauropáticos” usam de todos os seus poderes de "lobbying" (económico, político, mediático, etc.) para fazer regredir Portugal para os tempos abrutalhados do marquês de Marialva?

Haverá sinceridade na protecção e carinho que certos plumitivos e os bem - pensantes de serviço põem quanto às gentes rurais e suas práticas primitivas? Será que a manutenção e/ou a regressão para usos e tradições barbarescas é que se deve considerar bom para os rústicos, isto para satisfação de uns “senhoritos” irem, de vez em quando a uma espécie de “safari” folclórico e "voyerista" para observar os "bons selvagens"?

Não escapou a pena do Sr. N.P. para a verdade quando, com todo o desprezo, considera que o estômago dos barranquenhos não merece mais do que carne cheia de toxinas (consequência do “ Stress” com que o(s) animal (ais) foi (foram) morto(s), carne que os citadinos não comeriam por que os inspectores sanitários oficiais não o permitem? Então não é este, afinal, um execrável paternalismo: mantenham-se em estado bruto por que há uns quanto que se divertem com isso?

Não entende, ou não quer entender, que a LPDA, e os seus membros, ao pugnarem pela protecção dos animais ( de todos os animais) estão, como preconizava Victor Hugo, a promover uma mais alta civilidade para Portugal?

Quem é que então está melhor colocado ética e civicamente, o jornalista Sr. Nuno Pacheco que propõe que não se cumpra a legislação e, assim, a carne imprópria, cheia de toxinas seja consumida pelos barranquenhos quando muito bem sabe que tal carne não seria admitida no mercado abastecedor; ou a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal lutando por todos os meios para que a sociedade portuguesa evolua para um maior humanitarismo e compaixão para com os animais não - humanos? Porque os animais não são meros objectos mas sim, sujeitos sensíveis passíveis de dor e angustia ?

Que quando sacrificados para a alimentação humana o devem ser de forma humanitária, instantânea e indolor ?

Quem será mais civilizado, aqueles que, pensam que para os rústicos de Barrancos, sendo quem são, a tal carne imprópria serve perfeitamente; ou a LPDA que requereu que tal carne, naquele estado, só possa ser usada para os carnívoros em cativeiro nos zoológicos?

É verdade ou não que o oportunismo para abrir a caixa de pandora já começou ?

Se o Senhor N.P. conseguir responder de boa fé a estas questões decerto irá sentir-se bem e terá dado um passo no bom sentido: o de um mundo melhor.

Orlando R. Soares

Coordenador do Dep.ª - Animais usados em Espectáculos e Desporto



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