| Porquê
o vegetarianismo?
O veganismo* e o vegetarianismo* têm como objectivo
reduzir o impacto negativo que as nossas acções
têm sobre o bem-estar animal, o ambiente e nós
mesmos, alterando o que está ao alcance de cada um
- a alimentação.
Uma vez que o sistema de produção intensiva
de animais provoca dor e angústia nos animais criados,
desrespeita o ambiente e aumenta os problemas de saúde
em quem os consome, devemos evitar estes produtos e começar
a conhecer e explorar outros recursos económica e
eticamente mais sustentáveis.
Pelos animais
Os animais de criação intensiva são
tratados como máquinas. Deles é retirada a
maioria da carne que é consumida nos países
desenvolvidos.
Nos primeiros dias de vida, por exemplo, os bicos das galinhas
são cortados com uma lâmina quente e as bois
e os porcos são castrados a sangue frio.
Estes animais passam as suas vidas sem condições
para se moverem livremente, devido ao minúsculo tamanho
das suas celas, sem se conseguirem virar sobre si mesmos,
levantar uma asa e muito menos estabelecer laços
sociais e familiares com outros animais da mesma espácie.
Muitos só respiram ar fresco e vêem a luz do
Sol quando são transportados no camião que
os leva para o matadouro, sempre sem comida, água
ou qualquer cuidado sanitário, chegando muitas vezes
ao destino feridos, doentes ou mortos.
Já no matadouro os animais são frequentemente
anestesiados de uma forma incorrecta ou nem sequer o são.
Depois a sua garganta é-lhes cortada automatica ou
manualmente com uma faca quando os animais ainda estão
frequentemente conscientes, dando uns últimos momentos
de vida cheios de agonia e sofrimento injustificado.
O grupo People for the Ethical Treatment of Animals (PETA)
criou um vídeo sobre a criação intensiva
de animais ("Meet your Meat"). O vídeo
tem cerca de 11 minutos e para fazer o download do vídeo
clique aqui
(existe uma versão de 15 e outra de 73 Mb).
Pelo ambiente.
Para além de serem necessárias enormes quantidades
de água e terreno para alimentar os animais em regime de criação
intensiva, os excrementos criados levam à
poluição da terra, água, e ar.
Esta intensificação provoca a degradação do
ecossistema global através da desflorestação,
desertificação, poluição dos
oceanos, destruição de matas, erosão
do solo e mudanças climáticas.
Em Portugal as suiniculturas, com uma criação nacional anual superior a 2 milhões de porcos, são o principal problema de poluição fluvial (Quercus).
Por outro lado e em relação aos recursos desperdiçados,
a produção de carne é pouco eficiente
comparada com a produção de vegetais. Em média,
para cada refeição de carne produzida são
usados os recursos que poderiam servir para produzir 10
refeições baseadas em vegetais.
Numa altura
em que a fome no mundo e a aumento da rentabilidade dos recursos terrestres se tornam assuntos cada vez mais importantes, a alimentação vegetariana surje como uma forte ferramenta que contribui para a melhoria da situção actual.
Pela sua saúde.
Na comunidade portuguesa a carne está associada a
uma imagem de abundância e vitalidade, existindo a
ideia de que só através dela se pode obter
a energia, as proteínas e o ferro necessários
ao organismo. Mas esta é uma ideia incorrecta.
Inúmeros estudos científicos já comprovaram
que os ocidentais seguem uma dieta onde existe excesso de
proteína, açúcar, gordura saturada,
colesterol, pesticidas e com poucas fibras.
Sabe-se também que os povos que consomem produtos
animais são mais suscetíveis ao cancro da
mama, próstata e cólon, ataques cardíacos,
obesidade, osteoporose, artrite, diabetes, asma, pedra nos
rins e impotência e que quanto mais restricta é
a alimentação vegetariana (desde a simples
redução do consumo de carne, passando pela
alimentação ovo-lacto vegetariana até
à alimentação estrictamente vegetariana
- "vegana") menor é o risco de se ter estes
problemas.
Para além disto, a carne contém acumulações
de pesticidas e outros produtos químicos até
14 vezes mais concentrados do que em alimentos vegetais.
Um pormenorizado relatório sobre dieta vegetariana produzido recentemente pela Associação Dietética Americana e pelo grupo Nutricionistas do Canadá revela que não existem problemas de saúde associados a uma alimentação vegetariana equilibrada e que, pelo contrário, este regime alimentar reduz o risco de várias doenças.
Conclusão
Sendo o vegetarianismo uma alternativa mais ética, ecológica e saudável pedimo que cada pessoa reflicta sobre a possibilidade de a adoptar no seu dia-a-dia. Devemos fazer um pequeno esforço
para criar hábitos mais positivos e responsáveis. Consulte também a nossa lista de perguntas frequentes sobre vegetarianismo
*De uma forma simplificada e despreocupada pode definir-se
vegetarianismo e veganismo da seguinte forma:
Vegetarianismo - Regime alimentar onde é evitado
o consumo de animais mortos - vacas, porcos, frangos e qualquer
tipo de peixe, por exemplo.
Veganismo, também chamado vegetarianismo puro ou
estrito - Regime alimentar onde é evitado o consumo
de qualquer produto de origem animal - leite de vaca e ovos
para além da carne e peixe, por exemplo.
Referências:
Associação Dietética Americana
Goveg.com
Nutricionistas do Canadá
Quercus
Vegan Outreach
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