Como ajudar os animais do incêndio em Monchique

Mais uma vez, Portugal é assolado por incêndios de grande dimensão, que afectam pessoas, animais e a natureza em geral. Este ano os olhos estão postos principalmente na região de Monchique, no Algarve. Felizmente, os danos causados podem ser minorados pela boa vontade de muitos, desde instituições, associações e a população civil.

Em Faro, foi montado um hospital de campanha, numa escola secundária local, e no terreno os voluntários de várias associações fazem a recolha e aplicam os cuidados médicos gratuitamente a todos os animais, sejam eles de companhia, de produção ou selvagens.

No terreno, a percorrerem as áreas ardidas de todos os concelhos para prestarem assistência aos animais, andam os voluntários da Associação Nacional dos Alistados das Formações Sanitárias (ANAFES).

Segundo Nuno Paixão, o coordenador da ANAFES, os animais feridos nos concelhos afectados pelo incêndio de Monchique “são, felizmente, em menor número do que na última experiência em Oliveira do Hospital, devido ao tipo de fogo e de relevo do terreno”.

“Estamos espalhados por várias aldeias da serra e à medida que vamos avançando é que encontramos casos, número esse que vai aumentando, sendo neste momento difícil de falar numa quantificação”. Segundo o clínico, a associação ANAFES presta “assistência imediata aos animais, como água, alimento e tratamento, e tenta manter o acompanhamento, que pode durar semanas ou meses”.

A ANAFES é composta “apenas por voluntários com formação de pronto-socorro mesmo destinado a humanos, atuando com consonância com a Proteção Civil, dispondo de material de apoio e assistência ao tratamento animal, na grande maioria doado pela sociedade civil.

Ao longo da semana, vários consultórios disseram estar disponíveis para tratar e receber animais feridos. É o caso do Vetaquashow, na Quarteira. A “fim de evitar a perda de mais vidas”, uma escola de treino de cães algarvia, a Iron Dog, disponibiliza-se também para acolher, de forma temporária, “qualquer animal perdido ou resgatado”. “Não deixem de resgatar animais por não terem onde os colocar”, apela, numa publicação no Facebook. Ao seu cuidado, na Quarteira, tem já 20 porquinhos-da-índia, ovelhas e um burro. Precisam de jaulas, ração e palha.

São também precisos analgésicos e anestésicos, agulhas e seringas, compressas, alimentos, baldes e alguidares, entre outros, disse fonte da Ordem dos Médicos Veterinários, à Lusa. Quem quiser contribuir, os serviços regionais da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, no edifício DRAPAL, no Patacão, em Faro, e os serviços médico-veterinários de Portimão, na Estrada do Poço Seco, estão disponíveis para entrega de material.

Podem ser encontradas mais informações através do email criado para o propósito: [email protected] O organismo apela ainda a uma colaboração eficiente e articulada com as autoridades competentes.

O Hospital Veterinário do Algarve tem uma equipa de sete médicos veterinários que se têm deslocado ao terreno e dizem precisar de colírios e soros, que podem ser entregues nos bombeiros.

Ao local chegaram também dezenas de voluntários, que têm percorrido diariamente vários quilómetros pela serra, para assistirem os animais feridos pelo fogo. Há acções organizadas por cidadãos em grupos de Facebook como o Algarve Fires Animal Group. o Animal Rescue Monchique e muitas outras associações de defesa animal, onde são partilhadas imagens de animais encontrados e pedidos e ofertas de ajuda.

Por precaução, na quarta-feira, os 29 linces do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI), em Silves, no distrito de Faro, foram retirados e deslocados para instalações em Espanha. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já estava a estudar a evacuação preventiva desde domingo.