#163764 Resposta

Inês

Vou começar pela minha declaração de interesses: tenho 3 filhos e um cão.
Dito isto, tenho a certeza de que a minha família tem muito mais preocupação e cuidado com a higiene da praia do que inúmeras pessoas/famílias que não têm nenhum animal de estimação.
Penso que a proibição de os animais frequentarem a(s) praia(s), da maneira extensiva como vigora atualmente (para praticamente todas as praias com um mínimo de condições para as pessoas que as frequentam, que são as praias concessionadas) traduz uma visão do mundo que ainda não reconhece claramente que os animais também têm direito a viver em coabitação com os humanos.
De facto, as leis, em vez de proibirem a permanência de animais na praia (através da distinção entre praias concessionadas e não concessionadas, sendo que estas últimas, a nível costeiro, quase não existem, quando não são de muito difícil acesso), deviam, isso sim, alargar a todas as praias (concessionadas e não concessionadas) a proibição de as sujar e impor multas severas a quem não cumpre.
Até admito que essa proibição e multas já existam (não conheço as leis); mas então seguramente que a fiscalização falha.
E eu acharia muito bem se as multas fossem muito mais pesadas para os donos de animais que não apanhassem os respectivos dejetos (cócós). Mas também deveriam ser aplicadas a quem não tem animais e também não tem civismo e deixa no areal da praia latas de bebidas (ou parte de latas, como tampinhas de abertura fácil, que são um perigo para quem anda descalço), beatas de cigarro, embalagens ou sacos ou pacotes de plástico ou metalizados (por exemplo, de batatas fritas), etc…
O que não compreendo é porque é que quem tem animais e tem um comportamento de respeito para com o outros (e o ambiente) tem de ser impedido de fruir da praia em contexto familiar, quando o animal faz parte deste. E a lei poderia até condicionar a autorização para os animais (para irem à praia) à existência de vacinas, e até de seguros, mas em contrapartida devia permitir aos donos cumpridores levarem livremente os seus animais a toda e qualquer praia, com as suas famílias.
Quanto a os cães andarem à solta, é uma objecção mais compreensível, mas que resulta sobretudo de preconceitos ou medos, e também de ignorância. Faço notar que, numa praia apinhada de gente, existe uma elevada probabilidade de se encontrarem lá indivíduos potencialmente agressivos, que o comum dos cidadãos nem suspeita, e que não têm ninguém a responsabilizar-se por eles – ao contrário do que sucede com os animais de estimação, cujos donos os conhecem (e sabem se o respectivo animal é agressivo ou não, e também se, pelo contrário, é um animal sociável) e que são legalmente responsáveis pelos actos do animal.
Pelo que me encontro disponível para subscrever todas as iniciativas que possam ir no sentido de permitir maior liberdade para os animais de estimação – mesmo que isso tenha como contrapartida maiores exigências de responsabilização para os seus proprietários.
Inês Maurício