#167536 Resposta

amc

Boa dia.

Eu percebo o que quer dizer em relação aos indivíduos (leia-se humanos) potencialmente perigosos, mas não podemos fazer descriminação do ser humano. Temos que presumir que todos eles estão na posse das suas faculdades e tem à sua escolha a possibilidade de ser mais ou menos racional nas atitudes que toma. Também não haveria como aferir o bom senso e a racionalidade de cada um, porque ninguém o traz escrito na testa. No limite, um individuo com comportamentos desadequados, impróprios ou que coloquem a vida e o bem estar dos outros em causa, poderá ser convidado ou incitado a abandonar a praia pelas autoridades competentes.

Já o animal é por norma um ser irracional, embora haja donos que lhes atribuiam características quase racionais. De fato pode estar muito bem treinado e quase humanizado. Mas não deixa de ser irracional. As suas atitudes e comportamentos são imprevisíveis. As praias demasiado frequentadas podem-lhes causar desorientação e irracionalmente colocarem a vida de alguém em perigo, dependendo obviamente do porte do animal. Ter um seguro sobre o cão, é muito giro e pode até dar alguma garantia ao dono e à pessoa atacada de que não incorrerá em despesas financeiras, mas falemos a verdade, eu quero é ter a garantia de que eu e os meus filhos não seremos mordidos, quero lá saber das despesas pagas! É que há gente que enche a boca para dizer que o cão tem seguro, como se isso lhes desse mais liberdade e direitos do que aos outros. Então e a responsabilidade social, onde fica? O seguro também tapa a boca ao cão?

Depois há a questão das fezes. É verdade que os seus donos podem apanhar os cocos, mas o mesmo não podem fazer com os xixis e pelo que vejo da minha cadelinha, uma coisa anda sempre associada à outra!

Há ainda que pensar que hoje em dia são inúmeras as pessoas adultas e crianças que tem alergia ao pelo dos animais e essa alergia surge mesmo que o animal tenha tomado banho antes de sair de casa, pois não tem a ver propriamente com a sua sujidade, mas com a composição da saliva que passa para o pelo. Será justo privarmos tantas crianças alérgicas da praia, para darmos lugar a um animal que apenas quer a companhia dos donos, estando-se nas tintas se estão na praia ou no campo?

Já relatei à tempos um episódio em que um cão de médio porte numa praia concessionada faz um enorme coco mole junto de um lago que o mar bravo havia construído no meio do areal para regalo das crianças que ali se banhavam. Os donos discutiam entre si, quem haveria de apanhar a sujeira feita pelo cão, quando uma pequena onda empurra aquela porcaria para o meio do lago provocando de imediato a diluição da matéria. Os meninos que tiveram a sorte de ter os pais atentos viram de imediato a sua brincadeira interrompida, os outros continuaram a brincar e a chafurdar naquela porcaria. Achei revoltante e repugnante. Os donos riram-se, regressaram à sua toalha e continuaram a apanhar banhos de sol. Como vê, mesmo que os donos fossem mais diligentes, porque poderiam ter sido, ainda assim é impossível garantir que o animal não fará uma coisa destas. Pode até dizer que o seu cão jamais o faria, mas aí caímos no mesmo. Como se pode aferir que o seu animal reúne os requisitos sanitários, sociais e comportamentais para poder frequentar uma praia e o do vizinho não. Vê, seria um absurdo, isso sim seria descriminação.

Agora pense nas concessões. Não que eu perceba muito da forma de funcionamento das concessões, mas ao que sei, alguém paga à câmara durante a época balnear um determinado valor para poder explorar um determinado espaço. Quem fica a explorar tem obrigações de manter as praias limpas e oferecer condições condignas, aos seus clientes e a todos os banhistas que por ali parem ou passem, mesmo que não sejam clientes. Mas eles querem é obviamente obter lucro, que ninguém trabalha para aquecer. A presença de cães pode afastar clientes ou potenciais clientes, para além de que pode acarretar um acréscimo elevado de gastos para manter as praias limpas e as barracas intactas.

Vamos defender os nossos animais com toda a força e convicção. Ter um animal como elemento da família, não significa humanizá-lo, significa respeitá-lo, acarinhá-lo e aceitá-lo com as limitações que isso implica. Vamos à praia se tivermos onde deixar o bichinho feliz e confortável, se não tivermos abdiquemos da praia e optemos por outro tipo de ocupação de tempo livre de forma a integrar o animalzinho. Se não estamos dispostos a tais sacrifícios talvez devamos repensar na nossa capacidade para ser responsável por um cão, porque isto é como tudo na vida. Para termos umas coisas temos que abdicar de outras. É como quando decidimos ser pais. Eu por exemplo, passei a ir mais ao cinema, ao café e a parques infantis e menos a bares e discotecas… se fiquei triste? sim, …gostava….mas gosto mais de estar com os meus filhos.

Não estou a criticar ninguém, também gosto de ver a minha patusca a correr pela praia fora, naquele imenso espaço, completamente eufórica, mas tenho que saber colocar-me no lugar dos outros. Não a privo de andar na praia ou no mar. Faço-o é fora das épocas balneares.