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      ruidavid
      Administrador

      Carta aberta – Devemos mudar

      Na LPDA, logo que recebemos do SNS informações sobre os cuidados a ter com o covid19, tomamos as medidas preventivas recomendadas:

      1- Afixamos as regras a respeitar nos nossos 2 abrigos.

      2- Proibimos as entradas aos voluntários e a visitantes, como prevenção e protecção das 8 pessoas que ali trabalham.

      3- Definimos regras de protecção do pessoal das clínicas e regras de atendimento ao público.

      4- Lançamos uma campanha nas redes sociais, onde apelámos as pessoas saudáveis e que disponham de tempo e que se disponibilizem ir tratar e passear os animais de pessoas idosas que não possam sair à rua, ou de pessoas que estejam internadas ou em quarentena, na área da sua residência, isto nas zonas de Lisboa, Oeiras e Amadora.

      Enviámos para as respectivas juntas de freguesia as inscrições recebidas para que, quando solicitadas com pedidos de ajuda, entrem em contacto directamente com as pessoas inscritas.

      Curiosamente tem havido poucas inscrições de oferta e poucos pedidos de ajuda o que nos leva a pensar. As poucas ofertas, pensamos ser o medo de possível contágio. Os poucos pedidos de ajuda, pensamos dever-se à rede de solidariedade que se criou entre a população, que motivou os próprios residentes a se ajudarem entre si.

      Também há muitas famílias que se encontram em casa podendo ajudar os familiares doentes ou mais idosos.

      5- Criámos desde logo uma credencial identificativa dos cuidadores das nossas colónias do projecto CED/RED, que lhes permite, dentro da sua localidade, deslocarem-se para alimentar e tratar dos animais e saberem todas as regras a respeitar.

      6- Continuamos a fazer capturas, nesta altura em número mais reduzido, principalmente de felídeos doentes e de gatas grávidas para não se reproduzirem.

      7- Mantivemos as nossas clínicas a trabalhar em pleno, com todas as regras de controlo higiénico-sanitário. Criámos condições de protecção para os funcionários, médicos e assistentes, atendimento feito com luvas e máscara.

      Determinamos as regras de atendimento ao público e definimos que, dentro da sala de espera, só poderiam estar duas pessoas com os seus animais, sempre separadas por 2 metros de distância entre si.

      Limitamos o acesso ao balcão por uma protecção de acrílico

      Demos primazia ao atendimento por marcação e a animais sinistrados. As pessoas sem marcação aguardam a sua vez no exterior, podendo dar uma volta com o seu animal até chegada da sua vez, isto, para se respeitar o devido afastamento social.

      8- Em relação ao secretariado, temos 2 pessoas a trabalhar em casa por terem filhos bebés, que asseguram o atendimento público de pessoas que nesta altura têm dúvidas quanto aos animais, quer a nível de saúde, quer a dúvidas jurídicas, queixas por maus-tratos, abandono e muitas outras.

      Este foi um dos casos mais recentes:

      Na passada 3ª feira recebemos um telefonema de Viseu, de uma senhora a pedir ajuda porque os sogros, moradores na Venteira, Amadora, ambos com cerca de 70 anos de idade, tinham sido os dois, transportados para o hospital Amadora Sintra, no passado dia 29. Feitos os testes, foram diagnosticados com o Covid19, tendo a senhora ficado ligada ao ventilador. O filho e a nora estavam muito preocupados pelo estado do casal, procurando receber noticias diariamente. Segunda-feira confirmaram que o estado era grave e que não iriam regressar a casa tão depressa. Ficaram preocupadíssimos porque em casa dos idosos tinham ficado 2 pássaros e um gato fechados. De Viseu, contactaram várias entidades, desde a protecção civil, centros de saúde e associações, não conseguindo que lhe dessem nenhuma indicação de como resolver a situação. Nas diversas pesquisas que efectuaram, encontraram o contacto da LPDA e a senhora telefonou-nos de imediato. Estava muito aflita porque o tempo estava a passar e os animais iriam acabar por morrer. Descansámos a senhora garantindo ir de imediato tratar do assunto. Assim, aconselhámos a mandar-nos rapidamente um mail assinado pelo filho dos idosos, dando autorização ao hospital Amadora Sintra para que a chave da casa dos pais fosse entregue à polícia da Reboleia. A ideia era irmos a casa do casal, acompanhados da polícia e levarmos o gatinho e os passarinhos para o nosso abrigo, até que o casal pudesse regressar a casa. Quando já estava tudo decidido, a senhora desabafou que os testes feitos tinham confirmado covid19. Este desabafo levou-nos a alterar o planeado, porque não podíamos arriscar-nos a entrar dentro de casa. Felizmente no assunto foi resolvido rapidamente e com sucesso. Entramos de imediato em contacto com o CROAMA da Amadora, Centro de Recolha de Animais, na pessoa da Dr.ª Susana Santos, médica veterinária sanitária, que após tomar conta da ocorrência, contactou a PSP e com o pessoal do CROAMA, devidamente equipados para o efeito, retiraram os 2 passarinhos e o gatinho do apartamento. Neste momento encontram-se em quarentena e vão ser feitos os testes de despiste. Se tudo der negativo e tudo correr bem, a LPDA assumirá a responsabilidade da guarda dos animais. Quando os senhores regressarem a casa os animais serão entregues na sua residência e continuaremos, enquanto necessitarem, a ajudar quer nos cuidados de limpeza dos animais, como de alimentação e cuidados de saúde.

      Também no concelho da Amadora, durante o mês de Março e no prazo de 2 semanas, recolhemos 2 ninhadas de 12 bebés e 2 cachorros com cerca de 6 meses, uma cadela adulta, todos completamente desnutridos, 6 dos bebés numa magreza extrema, ficando um dos bebés internado no hospital.

      Na passada semana, dia 28, também entregue pela PSP no CROAMA da Amadora, foi enviado à nossa clínica um gato com uma coleira, aparentando ter dono, em estado muito crítico, com fractura na coluna. Pensava-se ter sido atropelado pelo que teve que ser internado no hospital. Depois de radiografado, verificou-se ter um chumbo alojado na coluna, prática, infelizmente, muito usual em gatos que recolhemos. Feito o último diagnóstico veterinário e face ao sofrimento, acabou por ter que ser eutanasiado.

      Pedimos a quem presencie ou saiba de quem se entretém a disparar armas e pressões de ar sobre gatos ou aves, que de imediato ligue para a PSP. Se poder testemunhar, contacte-nos. Nós encaminharemos a queixa para o Ministério Público.

      Dificuldades sentidas com a crítica situação que todos atravessamos?

      – Apoio em doações de alimentos, por parte de firmas e de beneméritos, são quase inexistentes.

      – Diminuição de donativos e do pagamento de quotas é notório.

      Isto é preocupante para nós e outras associações similares, sobretudo aquelas que têm abrigos com animais sob sua inteira responsabilidade.

      Embora sejamos uma ONG do Ambiente, sem fins lucrativos, que presta um serviço público na protecção aos animais abandonados, aos animais de pessoas de fracos recursos económicos e sem abrigo, na esterilização de várias colónias de felídeos de rua, prestando um serviço na salvaguarda da saúde pública, pagamos 23% de IVA e IRC, como qualquer clínica com fins lucrativos.

      Estamos, como qualquer outra pequena empresa, apreensivos.

      Temos 14 funcionários com contracto de trabalho a quem temos que pagar todos os meses ordenados, subsídios de férias e outros e Segurança Social.

      Temos cerca de 2,000,00 euros em gastos mensais, referente a animais sinistrados, com doenças que requerem exames caros e internamentos.

      Mais preocupante fica, quando temos nos nossos dois abrigos, mais de 200 canídeos para alimentar e cuidar. Se já não está fácil, tememos que as coisas possam vir a piorar. Estamos muito apreensivos.

      Associações como a nossa, sobrevivem essencialmente graças às quotas dos seus sócios, donativos de beneméritos, ofertas de alimentos para os animais, doados por algumas firmas e amigos dos animais.

      Dependemos do poder de compra da população em geral e das vendas das empresas de rações para animais.

      Temos que pensar positivo. Estamos numa fase que todos juntos, solidários com os mais fracos, vamos ultrapassar.

      Como ONG do ambiente pedimos-vos que reflictam nas mudanças que o planeta tem vindo a sofrer. Todos devemos reflectir e estar atentos às chamadas de atenção feitas por cientistas e biólogos desde há décadas, para as agressões a que temos vindo a sujeitar o nosso planeta.

      E tempo de investir seriamente em tecnologias limpas, renováveis e menos agressivas para o planeta. Em processos mais naturais na agricultura, sem o recurso a pesticidas. Passar da criação intensiva de animais para a nossa alimentação, para a criação extensiva.

      Temos que pensar muito seriamente se não devemos mesmo mudar os nossos hábitos de consumo e de consumismo, para termos vidas mais saudáveis, mais felizes.

      A mãe natureza tem-nos feito sérios avisos a que devemos estar atentos.

      Fogos incontroláveis e devastadores, inundações de grandes dimensões, epidemias que dizimam em todo o mundo milhões de seres humanos e animais.

      Temos todos que reflectir e pensar: será isto um sério aviso para a humanidade?

      Invista-se numa ciência verdadeira e não meramente economicista, para o bem deste planeta, casa de todos nós, humanos e animais.

      POR UM PLANETA VERDE, SAUDÁVEL E EQUILIBRADO

      Maria do Céu Sampaio

      (Presidente da LPDA)

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